Krenko, Chefe da Turba

Ir em baixo

Krenko, Chefe da Turba

Mensagem  Sistema em Dezembro 10th 2012, 09:07

por Jenna Helland

Krenko tinha um estômago forte oriundo de uma infância se alimentando na sarjeta, mas o Sr. Taz sempre conseguia deixa-lo apreensivo. Era a terceira vez que se encontravam para discutir negócios, e a aparência medonha de Taz era sempre a mesma. Ele parecia humano, mas seu rosto era solto demais de seu crânio, sua pele não parecia aderida com firmeza a seu esqueleto. Quando Krenko pensava sobre isso, ele imaginava toda a epiderme de Taz escorrendo e caindo ao chão como uma poça gosmenta sobre seus pés.

“Como está o cordeiro, Sr. Krenko?” Taz perguntou. Eles estavam num bar fumacento próximo ao Distrito Fundente, escolhido por Taz. Não era exatamente no território da Bruxa Sanguinária, mas apenas por poucos quilômetros. Era ideal porque Krenko não gostava de capangas Rakdos. Muito imprevisíveis, e não do modo como o goblin gostava.

“Umm, yum,” Krenko deu uma mordida educada e considerou suas alternativas. Taz não era um lich ou outro tipo de morto-vivo, afinal seu faro excepcional de goblin teria detectado. Na verdade, Taz cheirava algo requintado, algo como amêndoas e coelhos. Krenko analisou como a pele abaixo dos olhos de Taz sacudia-se frouxa e como se acumulava entre os nós dos dedos. Ah, era claramente uma pele falsa, e bem mal costurada.

“Eu suponho então que tenha achado o serviço apreciável?” Taz continuou. Seu pescoço era reto, liso, sem nenhuma elevação na garganta, como se fosse o pescoço de uma mulher. Mas sua voz era baixa e grave.

“É para corajosos,” Krenko respondeu afirmativamente.

“Sim, mas você provou ser um mestre em missões arriscadas.”

“Graças a você, Sr. Taz,” Krenko disse. Ele lembrou-se animado do último serviço, aquele que incluíra explodir uma estátua Azorius e incendiar saprófitas. Sim, Krenko gostava do homem com a cara escorregadia que o requisitava para muitos serviços divertidos. Como um jovem goblin no início de sua carreira, estar em contato com um patrono era uma dádiva que ele jamais imaginara. Além disso, Krenko tinha um respeito saudável por qualquer coisa que pudesse chamar de feia e não dava a mínima para o que o resto do mundo achava.

“Os Boros, huh,” Krenko disse, ganhando tempo. Ele queria o serviço, mas iria complicar algumas coisas. Ele tinha compromissos na Rua da Fundição. Azzik e Pondl eram leais, mas mal conseguiam contar até dez. Mais e mais goblins apareciam em seu depósito diariamente. Eles seguiam Krenko por todos os cantos como se ele fosse um pote de mel, o que seria útil se pudesse dar funções para cada um deles. Talvez com o capital ganho com o serviço de Taz...

“Fechado,” Krenko respondeu finalmente. O goblin não tinha dúvidas em sua habilidade de ser bem sucedido em seu espólio, mas novamente estranhava que Taz colocava sua confiança num humilde goblin para realizar tamanha tarefa. A grande maioria dos goblins eram pestes na pior das espécies e animais na melhor. “Eu farei.”

“Não tinha dúvidas quanto a isso,” o homem disse suavemente. Ele então deslizou uma bolsa de veludo pela mesa. Fachos luminosos escapavam pelas costuras. “Aqui está uma ferramenta especial para ajudar você em sua empreitada.”

Krenko espiou por dentro, sorriu maliciosamente quando viu uma faca brilhante aninhada no veludo. “Ah, você me conhece tão bem.”

“Brilhantismo reconhece brilhantismo,” Sr. Taz respondeu brandamente.

“E você tem certeza do que quer que eu traga?” Krenko perguntou. “Talvez eu deva apanhar algo mais valioso pra você?”

“Não, Sr. Krenko. O item que eu requisitei me fará bastante feliz.” Taz sorriu com seus lábios murchos e desapareceu no bar movimentado.

boros garrison

Com a faca afiada de Taz escondida em sua bota, Krenko então começou sua investigação na Morada do Sol, a imponente sede da guilda Boros. Depois de uma hora no telhado com uma luneta, o goblin estava suando e entediado, e não encontrou nenhuma novidade: os Boros ainda louvavam linhas retas e trabalho duro. E Krenko ainda não podia acreditar como goblins podiam se juntar àquela guilda por vontade própria, mas eles ali estavam: cavando trincheiras, lavando barracões e depositando cadáveres num processador de corpos Golgari. O goblin refletia se um dia tão medíocre como aquele teria resultado na morte de tantos soldados ou se algo teria acontecido além do alcance de sua luneta.

Na manhã seguinte, Krenko entrou no agitado saguão da Morada do Sol como se fizesse parte do lugar. O corredor cavernoso alimentava milhares de soldados naquele momento. Eles se sentavam na frente de travessas de comida fumegante em longas mesas que pareciam se estender por quilômetros. O local estava barulhento e quente, mas a abundância de comida de graça respondeu a uma as questões que martelava na cabeça do goblin. De repente, goblins nos Boros pareceu fazer muito sentido.

Krenko deslizou até o fim de um dos bancos, serviu-se de ovos de pato e instalou-se com cuidado para escutar com clareza ao mar de vozes e rugidos que surgiam à sua volta. Os soldados por trás dele estavam conversando sobre uma briga nas Colinas das Fechaduras, Krenko concluiu que fora por causa de uma garota e então moveu seus ouvidos atentos para outro lugar. Então, a poucos lugares dele, um jovem de cabelo negro dizia algo que chamou sua atenção:

“Acabou se tornando um duelo,” ele informou para a mulher sentada do outro lado da mesa. Ela usava uma faixa na testa.

“Quem marcou os limites? Aurelia?” ela perguntou. Ela manteve sua voz num tom tão baixo que demonstrava que não queria ser ouvida. Mas o homem falava até mais alto que o suficiente.

“Não, os intrometidos Azorius o fizeram,” ele comentou.

“Acho difícil de acreditar,” a mulher disse desconfiada. “Aurelia permitiu que fosse deste modo?”

“E porque não o faria?” o homem praticamente gritou. “Ela pode acabar com Vinrenn num piscar de olhos.”

Subitamente, o banco de Krenko balançou quase a ponto de cair e diversos soldados foram pra cima do homem.

“Cale a boca, falastrão!” alguém gritou e então uma chuva de socos começou entre as mesas. Krenko pegou seu prato e rumou para o outro canto do saguão. Tais demonstrações de cabeças-quentes e indisciplinadas pareciam tão não Boros. O goblin então respirou fundo, degustando da tensão que se alastrava pelo salão. Sim, seria tão divertido como lucrativo.

recurta

No outro dia, Krenko chegou procurando por problemas. E ele os encontrou por todos os lugares. Na Morada do Sol, os ânimos estavam exaltados e as fileiras e destacamentos pareciam mais interessados em fomentar querelas do que cantar seus hinos diários. Krenko então se juntou a uma equipe goblin de manutenção num dos gigantescos balcões que se sobressaiam do edifício.

“Se eu quisesse encontrar Pena, onde eu deveria ir?” ele sussurrou para o goblin com um nariz torto que estava ao seu lado. Ele estava polindo uma parede por quase uma hora e nada de útil havia acontecido até então. O goblin tinha um par de ataduras sob seu uniforme, mas aparentemente elas não eram o bastante para afastá-lo de trabalhos manuais.

“Shhhh! Ela diz que deve ser chamada de Líder Vinrenn agora,” ele falou bem devagar como se Krenko fosse uma criança idiota.

“Não me importa o nome, onde posso encontra-la?” Krenko perguntou.

“De onde você é? É algum Gruul fugido? Último andar, mas melhor você se manter longe dali.”

“O que está acontecendo por aqui?” Krenko indagou, “Eu vim até aqui pela Faixa de Escombros.”

O goblin pareceu convencido. “Sim, eu sabia que você era um Gruul. Bom, está uma loucura por aqui. Aurelia vai ser nossa nova mestra, porque ela diz que nenhum anjo caído em desgraça tem o direito de nos governar. Vinrenn vai ser banida. Ainda que se não causar problemas, vai ser mantida viva. Agora, sem mais conversa ou irei te entregar. Entendeu?”

A presunção do goblin preencheu Krenko de aversão. O lugar estava a ponto de desmoronar. Só precisava de um empurrãozinho.

cabeleira

O caos é a melhor cobertura, e então Krenko saiu correndo pelos corredores incendiando o que visse pela frente e chutando as portas abaixo. Primeiro andar: um rumor incendiário em ouvidos dispostos a escutar; Segundo andar: desferiu um soco no nariz gordo do goblin arrogante; Terceiro andar: bombas faiscantes; Quarto andar: bombas de fato. Ao passo que o goblin alcançava a bancada superior, os corredores eram tomados pelos sons de passadas pesadas e gritos alarmados. Do lado de fora, espadas se digladiavam na sacada. E ninguém notava um goblin de dentes tortos entrar nas câmaras de Vinrenn, também conhecida como Pena, a líder da guilda que aparentemente fora destituída de seus poderes.

Krenko achou-se numa sala vazia abaixo de um céu aberto e luminoso. Um facho de luz solar incidia austero sobre uma esfera de detenção transparente que estava suspensa sobre o punho vermelho-sangue adornado no piso. Um anjo de asas brancas estava em êxtase mágico dentro da estrutura. As asas se dobravam sobre si como se a mesma fosse uma pássaro jovem, ela estava aparentemente dormindo.

Após uma rápida olhada pela câmara, Krenko pegou sua faca brilhante de sua bota e cutucou a esfera. Nada aconteceu, então ele golpeou de novo. E de novo. Nada. Ugh, porque Taz daria a ele uma faca brilhante que não tinha serventia melhor do que uma faca comum?

De início, a esfera parecia ser constituída de luz e névoa, mas quando Krenko tateou sua superfície com as palmas de suas mãos, ele sentiu algo sólido perto da superfície. Ele então pegou a faca e tentou acertar um golpe contra o alvo invisível. Então ocorreu um som de sucção e uma luz azul preencheu a sala. Em seguida, com outro golpe bem colocado, a esfera se dissipou, deixando o anjo cair desajeitadamente no chão.

Ouvindo passos se aproximando do corredor, Krenko rapidamente arrancou duas penas das asas do anjo enquanto ela começava a se mexer.

“Ajudem-me!” Krenko gritou, correndo para a porta. “Ela tentou escapar! Ela esta livre. Ela me atacou!”

red

De repente, guardas de ombros largos aglomeraram-se por toda a sala, e Krenko exigiu o melhor de suas curtas pernas para chegar até a saída. E enquanto ele escapulia, um minotauro armado arrastava o anjo pelo pé, os protestos feitos por ela dirigiam-se a ouvidos surdos.

Ao passo que Krenko chegava ao portão principal, uma grande explosão sacudia a Morada do Sol. Não uma das dele, Krenko pensava alegremente. No fim certamente, o caos foi a melhor das ferramentas.

plains

No pôr-do-sol, Krenko encontrou Taz no Milenar, uma plataforma aérea com as mais empolgantes e belas vistas de toda Ravnica. Você tem que ser alguém notável para conseguir uma entrada até ali. Alguns ravnicanos esperam por toda a vida por uma chance. A maioria deles morre sem sucesso. Taz estava esperando por ele no local combinado, vislumbrando o mar de edifícios e ruas.

“As vezes eu me esqueço de olhar para o céu,” Taz disse enquanto Krenko entregava para ele uma caixa de madeira. Dentro dela estava uma pena de anjo. Parecia emitir um brilho avermelhado aos raios solares. “Dias inteiros passam, e eu nunca vejo o sol por inteiro.”

Krenko resmungou em concordância. Ele sabia como era se sentir um rato na escuridão.

“Estou profundamente agradecido,” Taz disse. “Seu pagamento está sendo entregue em seu estabelecimento como havíamos combinado.”

Krenko sorriu. Com aquele pagamento, ele poderia comprar café-da-manhã para Azzik e Pondl todos os dias que quisesse. Ele então estendeu a mão para fechar o acordo, mas ao invés de cumprimenta-lo, Taz o entregou uma chave prateada com o símbolo Orzhov estampado na haste.

“Um cofre Orzhov,” ele disse. “Esta chave é tudo que você precisa para pegar o dinheiro.”

As orelhas de Krenko ficaram em pé. “Dinheiro de quem?”

“Era da Pena. Ela ganhou salário como Wojek por um tempo. Mas não vai mais precisar dele.”

“Porque você não pega pra você?” Krenko perguntou.

“Considere isto como um bônus. Por um serviço bem realizado.” Sr. Taz então sorriu, e a pele de sua face dobrou-se sobre sua mandíbula. “Você tem habilidades de um líder, Sr. Krenko. Eu posso vê-lo como chefe de algo importante.”

Krenko enfiou a chave no bolso e levantou a cabeça. “Algo mais, Sr. Taz?”

“Oh, apenas uma banalidade. Quando você estiver em Orzhova, poderia pegar uma coisinha para mim?”
avatar
Sistema
Administrador


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum